Meios da Marinha Francesa desencadeiam acção de abordagem e captura de petroleiro no Mediterrâneo


Mar Mediterrâneo 
22 de Janeiro de 2026

Forças da Marinha Francesa, com helicópteros Caïman Marine (NH-90 NFH), procederam a uma acção de abordagem e captura, em águas internacionais do Mar Mediterrâneo, a 22 de Janeiro de 2026, sobre o petroleiro "Grinch" (IMO 9288851), sob suspeita de pavilhão fraudulento das Ilhas Comoros e acção de "Frota Fantasma".
O petroleiro "Grinch", proveniente de Murmansk, no Norte Árctico da Federação Russa, cruzou o Estreito de Gibraltar cerca das 12:50 UTC de 21 de Janeiro de 2026 rumando a Leste a uma velocidade de 12,9 nós. Pelas 10:30 UTC de 22 de Janeiro de 2026 navega a a 9,8 nós numa posição a 58 milhas náuticas a Sul de Cartagena (Múrcia, Espanha). Na sequência da acção de visita, abordagem, busca e captura de meios navais ("Visit, Board, Search, and Seizure", VBSS) das forças francesas, conduzida provavelmente pelos "Commandos Marine" (a unidade de Operações Especiais da Marinha Francesa), o navio "Grinch" foi encaminhado para águas francesas (provavelmente junto a Marselha) onde será alvo de inspecção.
Construído em 2004 na Coreia do Sul, pelos estaleiros da Samsung Heavy Industries, com um comprimento de 249,87 metros e uma boca de 43,80 metros, com 115 635 toneladas (DWT), o "Grinch" é um navio petroleiro de tipologia Aframax / LR2, que opera actualmente sob propriedade e gestão da Cube Ventures Shipping SA, como sede nas Ilhas Marshall, sancionada desde 2025 pelos Estados Unidos, Japão e Ucrânia. Este petroleiro, com diferentes nomes e bandeiras anteriores, está sancionado pelas autoridades da Ucrânia, dos Estados Unidos, da União Europeia, do Reino Unido, do Canadá e da Suíça, por acções em contexto de "Frota Fantasma".
O termo "Frota Fantasma" (ou frota "sombra"), que integra as tipologias de risco da "Dark Fleet" e da "Grey Fleet", é adoptado como designação por analistas de transporte marítimo, como a Lloyd’s List Intelligence e especialistas em regulação coerciva. Designa uma vasta e crescente rede de petroleiros (estimada entre 300 a 600 unidades) que tem como objectivo primário eludir o regime de sanções financeiras e as regulamentações internacionais aplicadas ao petróleo de jurisdições sancionadas, designadamente a Federação Russa, a Venezuela e o Irão. Tais navios operam maioritariamente sob bandeiras de conveniência de baixo custo regulatório, caracterizando-se pela opacidade deliberada nas estruturas de titularidade final (UBO, "Ultimate Beneficial Owner") e, frequentemente, pela ausência ou deficiência de cobertura P&I (Protecção e Indemnização). A utilização desta frota paralela permite manter o fluxo global da produção de crude, mesmo sob sanções, mas suscita sérias preocupações internacionais no que concerne à mitigação do risco de sinistralidade marítima e poluição ambiental, dada a sua deterioração do estado estrutural e deficiente classificação técnica, bem como o recurso a práticas de transporte enganosas (DSP, "Deceptive Shipping Practices"), como as operações de transbordo no mar (STS, "Ship-to-Ship Transfers").
Fabricado pela NHIndustries (NHI), um consórcio europeu composto pela Airbus Helicopters, Leonardo Helicopters e GKN Fokker Aerospace, o NH-90 NFH ("NATO Frigate Helicopter"), designado na Marinha Francesa por "Caïman Marine", corresponde à versão para uso em contexto naval deste helicóptero, tendo sido concebido para missões de luta anti-submarina (ASW), luta anti-superfície (ASuW) e busca e salvamento (SAR). Trata-se de um helicóptero com uma tripulação típica de 3 elementos (piloto, coordenador táctico e operador de sensores). Tem um comprimento de 19,56 metros e um peso máximo à descolagem de 11 toneladas. Propulsionado por 2 turbinas Rolls-Royce Turbomeca RTM322, tem uma velocidade máxima de cruzeiro de 295 km/h (cerca de 160 nós) e um alcance operacional máximo de 980 km (cerca de 530 milhas náuticas). Pode transportar 20 militares equipados.





Fotos via Forças Armadas Francesas




Acompanhamento AIS via Vessel Finder a 22 de Janeiro de 2026

Militares franceses na ponte do "Grinch". Foto via Forças Armadas Francesas




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