Tróia - Apresentação de meios não tripulados da Marinha Portuguesa e da Marinha dos Estados Unidos
Tróia, Grândola, Portugal
6 de Março de 2026
Teve lugar na Zona Livre Tecnológica (ZLT) Infante D. Henrique da Marinha Portuguesa, em Tróia, Grândola, a 6 de Março de 2026, uma apresentação de meios não tripulados, conduzida pela Marinha Portuguesa e pela Marinha dos Estados Unidos, no contexto da visita do Embaixador dos Estados Unidos da América para Portugal, John Joseph Arrigo, em funções desde 30 de Setembro de 2025.
Os meios não tripulados apresentados, presentes no Ponto de Apoio Naval (PAN) de Tróia, georreferenciação 38.47488, -8.87064, compreenderam, entre outros, pela Marinha Portuguesa, os meios de sub-superfície "SEACON-1" e Teledyne "Gavia", os meios de superfície "Tractor do Mar", Otter Pro "Pleione" e Otter X "Atlas", e os meios aéreos Beyond Vision HEIFU Pro (de asa rotativa, com 6 rotores) e VTOne (de asa fixa); e, pela Marinha dos EUA, os "drones" de superfície GARC ("Global Autonomous Reconnaissance Crafts") do fabricante norte-americano "Black Sea", bem como os "Lightfish" do fabricante norte-americano SeaSats.
O SEACON-1, um não tripulado ligeiro, de sub-superfície, com capacidade autónoma e orientado a operações de busca, monitorização e segurança subaquática, resulta de um projecto de investigação e tecnologia colaborativa desenvolvido entre a Marinha Portuguesa e o Laboratório de Sistemas e Tecnologia Subaquática (LSTS) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).
O "Tractor do Mar" ("Sea Tractor"/ "Sea Tug"), desenvolvido pela Célula de Experimentação Operacional de Veículos Não Tripulados (CEOV) da Marinha Portuguesa, é uma plataforma com funcionalidades que lhe permitem recolher dados oceanográficos e executar tarefas de vigilância operacional, no contexto de protecção de infraestruturas submarinas críticas. A designação "Tractor" decorre de ter sido desenhado para rebocar um sistema de sonar passivo, com capacidade de vigilância em contexto anti-submarino, por meio de detecção acústica multiestática, com desenvolvimento pelo Grupo de Projecto para Análise de Dados Acústicos da Marinha.
Os GARC da Black Sea são "drones" de superfície, de alta velocidade, orientados a ambientes contestados, com capacidade de operação autónoma e em "swarm", com um "payload" modular e flexível (até 454 kg). Podem desempenhar missões de recolha de informação em tempo-real, repetidor de comunicações, combate de superfície, identificação de ameaças submarinas (minas, submarinos) e capacidade de projectarem "drones" aéreos. Têm 4,8 metros de comprimento e 1,75 metros de boca, deslocam 2.1 toneladas em carga completa, um alcance operacional de 700 a 1600 milhas náuticas (22 nós a 5 nós), com motor de 200 hp que pode sustentar uma velocidade máxima de 40 nós.
Os "Lightfish" são "drones" de superfície, com capacidade autónoma, orientados à recolha de informação e patrulha de longa duração, com uma "endurance" de até 6 meses / 8 000 milhas náuticas. Com um comprimento de 3,5 metros e uma boca de 1 metro, ,têm uma massa de 138 kg (com um "payload" de 29,9 kg) e sustentam uma velocidade máxima de 5 nós, com propulsão eléctrica, dotados de painéis solares para carregamento de bateria. São dotados de comunicações redundantes e capacidade de manter operação em ambientes com negação de GPS.
O Centro de Experimentação Operacional da Marinha (CEOM), é responsável pela gestão, operação e manutenção da ZLT Infante D. Henrique é um centro de testes NATO DIANA ("Defence Innovation Accelerator for the North Atlantic"), incorporando a Célula de Experimentação Operacional de Veículos Não-Tripulados (CEOV).
Esta ZLT é definida pelo CEOM como "uma área dedicada à experimentação e ao teste operacional de sistemas tripulados e não tripulados nos ambientes de subsuperfície, superfície (terrestre e molhada) e aéreo, e de outras tecnologias e sensores associados com aplicação de duplo uso, com o objectivo principal de emprego na área da segurança e defesa".
A Marinha Portuguesa contou com a presença, entre outros, do Vice-Chefe do Estado-Maior da Armada, Vice-almirante Pedro Sousa Costa, do Comandante Naval, Vice-almirante José Salvado de Figueiredo, do Director do CEOM, Comandante Palmeiro Ribeiro, e do Director do CEOV, Comandante Marco Guimarães.
A Marinha dos EUA contou com a presença, entre outros, do Tenente Jay Faylo, Director de Sistemas Não-Tripulados da "Commander Task Force - 66" (CTF-66), estabelecida em Maio de 2024 com a missão de desenvolver e integrar soluções e sistemas não tripulados. Trata-se da primeira "all-domain task force", sob a égide da 6.ª Esquadra da Marinha dos Estados Unidos, concebida para integrar sistemas robóticos e autónomos com parceiros navais, conjuntos e NATO nos teatros europeu e africano.

















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