Bélgica conduz acção de abordagem e captura de petroleiro da "Frota Fantasma" a 32 milhas náuticas da sua costa


Mar do Norte, Bélgica 
1 de Março de 2026

Numa acção liderada por forças Belgas, apoiadas por forças Francesas, foi desencadeada, na noite de 28 de Fevereiro para 1 de Março de 2026, na Zona Económica Exclusiva Belga do Mar do Norte, a operação "Blue Intruder" ("Intruso Azul) de visita, abordagem, busca e captura ("Visit, Board, Search, and Seizure", VBSS) sobre o petroleiro "Ethera" (IMO 9387279), navegando, proveniente do Canal da Mancha, com rumo Nordeste, sob falsa bandeira Guineense, a 32 milhas náuticas a Noroeste do porto belga de Zeebrugge. Consumada a acção, o mesmo foi conduzido para este porto, onde atracou pelas 07:57 UTC de 1 de Março de 2026.
A Operação "Blue Intruder" foi conduzida por quatro helicopteros NH-90 (dois da Força Aérea Belga, a operarem desde a Base Aérea de Coxyde e dois das forças da Marinha Francesa), apoiados por um "drone" belga MQ-9B a operar da Base Aérea de Florennes; pelo navio patrulha belga Pollux (P902), com o comando de campo da operação; e por uma equipa do Grupo de Forças Especiais belga que executou, em descida por "fast rope", a acção de VBSS.
O navio "Ethera", construído em 2008, com 46 606 toneladas (DWT), 183 metros de comprimento e 32 metros de boca, é um petroleiro referenciado sob sanções da União Europeia, Reino Unido (OFSI) e Estados Unidos da América (OFAC), indiciado por operar em contexto de "Frota Fantasma". O "Ethera" é detido pela Zulu Ships Management And Operation, com sede em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
O termo "Frota Fantasma" (ou frota "sombra"), que integra as tipologias de risco da "Dark Fleet" e da "Grey Fleet", é adoptado como designação por analistas de transporte marítimo, como a Lloyd’s List Intelligence e especialistas em regulação coerciva. Designa uma vasta e crescente rede de petroleiros (estimada entre 300 a 600 unidades) que tem como objectivo primário eludir o regime de sanções financeiras e as regulamentações internacionais aplicadas ao petróleo de jurisdições sancionadas, designadamente a Federação Russa, a Venezuela e o Irão.
Estes navios operam maioritariamente sob bandeiras de conveniência de baixo custo regulatório (ou mesmo fraudulentas), caracterizando-se pela opacidade deliberada nas estruturas de titularidade final (UBO, "Ultimate Beneficial Owner") e, frequentemente, pela ausência ou deficiência de cobertura P&I (Protecção e Indemnização). A utilização desta frota paralela permite manter o fluxo global da produção de crude, mesmo sob sanções, mas suscita sérias preocupações internacionais no que concerne à mitigação do risco de sinistralidade marítima e poluição ambiental, dada a sua deterioração do estado estrutural e deficiente classificação técnica, bem como o recurso a práticas de transporte enganosas (DSP, "Deceptive Shipping Practices"), como as operações de transbordo no mar (STS, "Ship-to-Ship Transfers").







Fotos via Ministério da Defesa da Bélgica







Acompanhamento do petroleiro "Ethera" (IMO 9387279), sinalização AIS ("Automatic Identification System"), via Vessel Finder - seleccionado e editado por "Espada & Escudo"


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