O PRIMEIRO MÍSSIL ANTI-NAVIO


Golfo da Biscaia
Agosto de 1943

O primeiro míssil anti-navio foi desenvolvido pela Henschel e usado em combate pela Força Aérea da Alemanha ("Luftwaffe") em 1943, no decurso da 2.ª Guerra Mundial.

O Henschel Hs-293, desenhado por Herbert A. Wagner a partir de um projecto iniciado em 1939, baseado no conceito de bomba planadora, de Gustav Schwartz, de 1937, era, grosso modo, uma solução integrada de uma bomba convencional (uma modificação de uma SC 500, de 500 kg, contendo uma ogiva de 295 kg de explosivo Trialen 105); um sistema de asas; um sistema de propulsão (um foguete HWK 109-507B); e um sistema de comunicação por rádio (um receptor Funk-Gerät 230 Strassburg e um transmissor Funk-Gerät 203 Kehl). Para controlo visual por parte do operador, que ajustava o "elevator" e os "ailerons", era usado um foguete de sinalização vermelho, que assim permitia acompanhar a trajectória do míssil até ao objectivo, naquele que foi o primeiro sistema aéreo de CLOS, "Command to Line Of Sight".

Os primeiros testes foram conduzidos entre Maio e Setembro de 1940 com o apoio de bombardeiros Heinkel He 111 (H). O uso em combate do Hs-293 foi levado a cabo por aeronaves Heinkel He 177 "Greif" (do I E II.Gruppen/KG 40), Focke-Wulf Fw 200 "Condor" (do III./KG 40) e Dornier Do 217 (do II./KG 100 e III./KG 100).

Foi usado pela primeira vez em combate no Golfo da Biscaia a 25 de Agosto de 1943, não tendo detonado - porém, um outro ataque, dois dias depois, na mesma geografia, conduzido por aeronaves Do 217, levaria ao afundamento da corveta HMS Egret, naquele que seria o primeiro afundamento causado por um míssil anti-navio.

Com recurso às informações recolhidas a partir de um destes mísseis capturado intacto em Anzio e da captura dos componentes do transmissor rádio Kehl a partir de um bombardeiro He 111 na Córsega, os Aliados conseguiram desenvolver contra-medidas bem sucedidas de intercepção e interferência rádio.

A derradeira variante deste míssil, o Hs-293 D, contava com um sistema de camara instalada no nariz, associado a um "uplink" de sinal televisivo via rádio que permitia ao operador acompanhar dessa forma a trajectória. Os primeiros testes bem sucedidos desta variante foram terminados em Agosto de 1944 e pelo menos um navio da "Royal Navy" regista ter sido atingido por uma delas. O Hs-293 teve um histórico acumulado, até ao final da Guerra, de pelo menos 25 navios afundados.

Fotos via "Luftwaffe" (primeiros testes a partir de He 111)
Visão de artista por Valery Petelin, com um Do 217
Composição e edição por "Espada & Escudo" 

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