Integração de Patriot, IRIS-T SLM e Ozelot em exercício de defesa anti-aérea multicamada em Creta
Chania, Creta, Grécia
Outubro de 2026
Disparo de mísseis de defesa anti-aérea Patriot (lançador oblíquo), IRIS-T SLM (lançador na vertical) e Ozelot (em torre sobre chassis de lagartas), a partir da "NATO Missile Firing Installation" (NAMFI) em Chania, Creta, Grécia, de 12 a 14 de Outubro de 2026, no contexto do exercício "Spartan Arrow 26". Estes três sistemas operaram aqui de forma integrada, numa arquitectura em camadas, através do software e plataforma de comando e controlo SAMOC ("Surface to Air Missile Operations Centre") da Airbus. Participaram, sob a égide do Comando da Força Aérea Alemã ("Kommando Luftwaffe"), três sistemas Patriot (dois alemães e um sueco), um IRIS-T SLM alemão e sistemas LeFlaSys-Ozelot (alemães).
O "NATO Missile Firing Installation" (NAMFI), georreferenciação 35.57278, 24.17361, localizado na península de Akrotiri, próximo de Chania, na ilha grega de Creta, é um campo de tiro da NATO, criado por acordo entre oito países aliados em 1964 e construído entre 1964 e 1968, com financiamento da Aliança. Actualmente, é administrado e operado pelas Forças Armadas Gregas, sob tutela do Estado-Maior da Defesa da Grécia, sendo financiado conjuntamente pela Grécia, Alemanha e Holanda. Destina-se sobretudo ao treino de fogo real e à avaliação operacional de sistemas de defesa antiaérea, segundo doutrina NATO. A ilha de Creta ocupa uma posição geoestratégica no Mediterrâneo Oriental, a aproximadamente 100 km a sul da Grécia continental, entre a Europa, o Norte de África e o Médio Oriente. Encontra-se a aproximadamente 380 km de Tobruk e 525 km de Benghazi, na Líbia, 730 km de Alexandria, no Egipto, e 1.050 km de Haifa, em Israel, e de Latakia, na Síria.
O MIM-104 Patriot ("Phased Array Tracking Radar to Intercept on Target"), desenvolvido pela norte-americana Raytheon e ao serviço desde 1984, é um sistema de defesa anti-aérea de médio e longo alcance, especialmente vocacionado para a intercepção de mísseis balísticos, mas também apto a enfrentar aeronaves, "drones" e mísseis de cruzeiro. Na Alemanha, o Patriot integra a defesa anti-aérea da Força Aérea Alemã ("Luftwaffe"). Na Suécia, onde é designado "Luftvärnssystem 103" (LvS 103), integra as capacidades de defesa aérea das Forças Armadas Suecas desde a sua introdução operacional. No exercício "Spartan Arrow 26", participaram dois sistemas Patriot alemães e um sueco, tendo as forças suecas realizado os primeiros disparos autónomos de fogo-real com este sistema, integrado através do SAMOC alemão, no contexto da certificação da sua interoperabilidade com a NATO. O Patriot foi operado, desde a sua entrada ao serviço em 1984, por quase duas dezenas de países: Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Japão, Arábia Saudita, Israel, Kuwait, Taiwan, Egipto, Grécia, Espanha, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Roménia, Suécia, Polónia, Ucrânia e Bahrein (por ordem aproximada de entrada ao serviço). Israel retirou o sistema do serviço em 2024, tendo anunciado formalmente a sua desactivação a 30 de Abril desse ano, após mais de três décadas de utilização.
O Patriot emprega actualmente duas famílias principais de mísseis: PAC-2 GEM-T ("Guidance Enhanced Missile – Tactical"), com ogiva explosiva de fragmentação e detonação por proximidade, e PAC-3 MSE ("Missile Segment Enhancement"), de menores dimensões e com capacidade de intercepção por impacto directo ("hit-to-kill"), especialmente eficaz contra mísseis balísticos. O PAC-2 GEM-T apresenta um alcance operacional que pode atingir cerca de 160 km, enquanto o PAC-3 MSE privilegia a capacidade de intercepção de ameaças balísticas e a precisão terminal. Os lançadores M903 podem comportar quatro mísseis PAC-2 GEM-T ou até doze PAC-3 MSE, permitindo configurar as unidades de lançamento de acordo com a natureza das ameaças.
O IRIS-T SLM ("InfraRed Imaging System – Tail/Thrust Vector-Controlled – Surface-Launched Medium"), desenvolvido pelo consórcio europeu liderado pela alemã Diehl Defence, é um sistema de defesa anti-aérea de médio alcance, destinado à intercepção de aeronaves, helicópteros, mísseis de cruzeiro e veículos aéreos não tripulados ("drones"). A configuração típica compreende uma unidade de radar Hensoldt TRML-4D, um posto de comando e controlo e uma ou várias plataformas de lançamento, cada uma equipada com oito mísseis em contentores individuais, dispostos verticalmente. No exercício "Spartan Arrow 26", a Força Aérea Alemã ("Luftwaffe") realizou o seu primeiro disparo de fogo-real com este sistema, operado por uma guarnição inteiramente alemã, constituindo um marco no processo de certificação NATO.
O míssil IRIS-T SLM, derivado da versão ar-ar IRIS-T, utiliza orientação terminal por infravermelhos, com capacidade de correcção de trajectória por vectorização do impulso e actualização de dados durante o voo. Tem um alcance operacional de até 40 km, podendo atingir alvos a altitudes de até 20 km, e uma velocidade máxima da ordem de Mach 3. O lançamento vertical permite uma cobertura de 360 graus, sem necessidade de orientar previamente a plataforma na direcção do alvo. A Ucrânia tornou-se, em Outubro de 2022, o primeiro operador operacional do IRIS-T SLM, tendo igualmente protagonizado a sua estreia em combate, quase dois anos antes da entrada ao serviço nas Forças Armadas Alemãs, em Setembro de 2024.
O LeFlaSys ("Leichtes Flugabwehrsystem"), com plataforma de lançamento Ozelot, é um sistema móvel de defesa anti-aérea de curto alcance das Forças Armadas Alemãs ("Bundeswehr"), destinado à protecção de unidades terrestres e instalações militares contra aeronaves e helicópteros a baixa altitude, bem como "drones". Introduzido ao serviço em 2001, utiliza viaturas blindadas de lagartas Wiesel 2, compreendendo uma plataforma de reconhecimento, comando e direcção de tiro AFF ("Aufklärungs-, Führungs- und Feuerleitfahrzeug") e plataformas de lançamento Ozelot. No exercício "Spartan Arrow 26", o sistema foi integrado na arquitectura de defesa em camadas, assegurando a componente de curto alcance.
Cada plataforma Ozelot, com dois militares de guarnição e uma massa em combate de aproximadamente 4,3 toneladas, dispõe de um lançador com quatro mísseis FIM-92 Stinger (2x2 em torre sobre o "chassis"), guiados por infravermelhos, com alcance operacional até 6 km, transportando ainda quatro mísseis adicionais para remuniciamento. A viatura AFF utiliza radar de vigilância com alcance até 20 km, podendo coordenar até oito plataformas Ozelot. Estas podem também operar autonomamente, recorrendo a câmara térmica, sistema óptico diurno e telémetro laser para aquisição de alvos. Durante o exercício, a Bundeswehr assinalou igualmente a transferência formal deste sistema da Força Aérea Alemã para o Exército Alemão ("Heer"), no âmbito da reconstituição das suas capacidades orgânicas de defesa anti-aérea.
O SAMOC ("Surface to Air Missile Operations Centre"), desenvolvido no início da década de 2000 pela alemã EADS Defence and Communications Systems (actual Airbus Defence and Space), com produção em série desde 2004 e primeiras entregas em 2005 à Força Aérea Alemã ("Luftwaffe"), é um sistema de comando e controlo (C2) de defesa anti-aérea, actualmente integrado no "portfolio" de soluções "Fortion", concebido para integrar diferentes plataformas de radar, sensores e sistemas de armas numa arquitectura de defesa coordenada. Recorre à fusão de dados provenientes de múltiplas fontes e a ligações tácticas de dados ("Tactical Data Links", TDL), normalizadas pela NATO, permitindo a criação de um quadro operacional comum, a identificação e acompanhamento de ameaças em tempo real e a coordenação da resposta entre diferentes unidades. Integra funcionalidades de planeamento de missões, gestão de recursos, apoio à decisão e distribuição coordenada de empenhamentos, procurando reduzir os tempos de reacção e optimizar a utilização dos meios disponíveis.





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