Baptismo, comando e guarnição do novo navio de investigação oceanográfica "Azores Ocean"
Horta, Faial, Região Autónoma dos Açores
2 de Outubro de 2026
Novo navio de investigação oceanográfica "Azores Ocean" (IMO 1041104), afecto ao Governo da Região Autónoma dos Açores (RAA), no Porto da Horta, no Faial, a 2 de Outubro de 2026. Em plano afastado temos, sob nuvens, o Pico, o ponto mais alto de Portugal com 2 351 metros de altitude, dominando a segunda maior ilha do arquipélago. Estando prevista a realização da primeira missão a partir de 12 de Outubro de 2026, teve aqui lugar a assunção de funções do Comandante do navio, o Capitão-de-fragata Pedro Vieira, integrando uma guarnição composta por 12 elementos da Marinha Portuguesa, compreendendo três Oficiais, quatro Sargentos e cinco Praças.
Realizou-se também a cerimónia de baptismo do navio, presidida pelo Presidente do Governo Regional dos Açores, José Bolieiro, e que contou com uma apresentação sobre o navio, com a intervenção da Madrinha do "Azores Ocean", Sylvia Alice Earle, reputada oceanógrafa, bióloga marinha e exploradora norte-americana, de 91 anos, fundadora da "Mission Blue", organização que designou o arquipélago dos Açores como "Hope Spot" para a conservação dos oceanos, em 2019, mantendo desde então uma estreita ligação aos Açores na defesa e protecção do respectivo mar. Liderou mais de uma centena de expedições e acumulou mais de 7 000 horas de actividade subaquática.
A construção do "Azores Ocean", pelos estaleiros Armón em Vigo, Comunidade Autónoma da Galiza, Espanha, teve assentamento da quilha em Novembro de 2023, num projecto com um prazo máximo de execução contratual de 900 dias e um custo de 19 799 400,00 EUR, financiado no âmbito da componente C10-i04-RAA – Desenvolvimento do "Cluster do Mar dos Açores" do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) da União Europeia (UE). O navio integra a iniciativa "Hub Azul Açores", no contexto alargado do desenvolvimento do "Cluster do Mar dos Açores", com o Tecnopolo MARTEC, a Escola do Mar dos Açores e com toda a Zona Livre Tecnológica (ZLT), baseados na Ilha do Faial. Esta iniciativa é tutelada pelo Governo da RAA com a coordenação principal sob responsabilidade da respectiva Secretaria Regional do Mar e das Pescas.
Este navio é uma plataforma tecnológica, de operação oceânica, para capacitar a Região na exploração e monitorização do mar profundo no Atlântico Nordeste Central, no contexto da Zona Económica Exclusiva (ZEE) do arquipélago. Com a referência de projecto de construção "V149", trata-se do 14.º navio oceanográfico construído por este estaleiro galego. Terminados os trabalhos de instalação dos equipamentos e os acabamentos, e realizados os primeiros testes operacionais de mar, viajou até à Região Autónoma dos Açores, percorrendo 945 milhas náuticas (1 751 km) até ao Porto da Horta, na Ilha do Faial, onde atracou cerca das 19:45 UTC de 4 de Agosto de 2026.
O navio tem 45,95 metros de comprimento e 10,5 metros de boca, atingindo, com propulsão diesel-eléctrica, uma velocidade máxima de 12 nós, com uma capacidade de combustível de 139,6 metros cúbicos, podendo alcançar até 4 000 milhas náuticas com uma autonomia de operação de 15 dias. Tem uma capacidade máxima de alojamento de 30 pessoas. Compreende sala de aulas, laboratórios (seco e húmido) e centro de dados. O "Azores Ocean" vem permitir a substituição do navio "Arquipélago" (H-44-ESJ), de 25 metros, ao serviço desde 1993 (e no final da sua vida útil), operado pelo Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç), baseado na cidade da Horta, na Ilha do Faial.
Ao nível dos sensores e equipamentos científicos, o "Azores Ocean" dispõe de um conjunto integrado de sistemas Kongsberg, incluindo ecossondas multifeixe EM304, para levantamentos batimétricos em águas profundas, e EM2040 MkII, para profundidades entre 10 e 500 metros; ecossonda científica EK80, operando nas frequências de 18, 38, 70, 120, 200 e 333 kHz, complementada por transceptores acústicos de banda larga WBAT; sonar SU90; perfilador acústico de subfundo TOPAS PS18; e perfilador acústico de correntes (ADCP) de 150 kHz. Integra ainda o sistema de posicionamento acústico submarino HiPAP 502, o sistema de referência de movimento e atitude Seapath 380/R3, os sistemas PX/TV80 e FX80 para monitorização de redes de arrasto, um sistema automático FerryBox para amostragem e monitorização da água e uma estação meteorológica Vaisala. A gestão da informação científica é assegurada pelo Kongsberg Geomatics, com sincronização temporal dos diferentes sistemas através do K-SYNC. Dispõe ainda de um ROV ("Remotely Operated Vehicle", "Veículo [subaquático] Operado Remotamente") Argus, de classe "Work", de fabrico norueguês, capaz de operar até aos 3 000 metros de profundidade.
Ao custo do novo navio enquanto plataforma operacional base, acrescem cerca de 3,6 milhões de EUR para os respectivos módulos científicos; 1,42 milhões de EUR para o módulo de equipamento de arrasto; e 4,5 milhões de EUR para o módulo ROV, também financiados pelo PRR da UE, num investimento agregado de cerca de 29,32 milhões de EUR. Trata-se do maior investimento alguma vez realizado pela Região Autónoma dos Açores numa infra-estrutura oceanográfica.
Foto via Marinha Portuguesa
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