Década de 1970 - "Fireforces" da Rodésia em operação táctica helitransportada de contra-guerrilha
Rodésia
1977-79
Operacionais das Forças Armadas da Rodésia afectos a uma das suas "Fireforces" no decurso da "Bush War", armados com espingardas automáticas FN-FAL ("Fusil Automatique Léger"), calibre 7.62×51mm, embarcando em helicópteros Alouette III. Os grupos de quatro militares ("sticks") transportados por cada helicóptero incluíam tipicamente três elementos equipados com FN-FAL e um com uma metralhadora média FN MAG ("Mitrailleuse d'Appui Général"), também em calibre 7.62×51mm, à qual se destinariam as munições em fita visíveis na fotografia. Operam aqui, em finais da década de 1970 (c. 1977–79), sobre um dos aeródromos avançados ("Forward Airfields", FAF) operados pela Força Aérea da Rodésia, cuja rede, estabelecida a partir de 12 de Agosto de 1967, em Wankie, viria a compreender nove instalações permanentes, além de aeródromos temporários.
As "Fireforces" (lit. "Forças de Fogo") eram compostas, em termos de helitransporte, por formações de quatro helicópteros - com três Alouette III (alcunhados de G-Car) armados com metralhadoras Browning Mk 2 calibre .303 em reparo duplo; com o apoio de um outro, com função de comando da formação (alcunhados de K-Car), com canhão Matra MG 151/20 de 20 mm. A projecção das forças era também feita com recurso a lançamento a partir de bimotores C-47 "Dakota" (alcunhados de "Dak" e "Paradak"), com capacidade de transportar até cerca de duas dezenas de paraquedistas.
Este dispositivo, apoiado também por aeronaves de ataque ligeiro Reims-Cessna FTB 337G "Lynx", tinha como objectivo localizar, cercar e neutralizar grupos insurgentes através de manobras de envolvimento vertical, com desembarques em posições destinadas a bloquear as respectivas rotas de retirada. Operando a partir de aeródromos avançados ("Forward Airfields", FAF), as "Fireforces" passaram a integrar sistematicamente, a partir de 1977, aviões bimotores Douglas C-47 Dakota do 3.º Esquadrão, utilizados no lançamento de paraquedistas, ampliando e diversificando a capacidade de projecção e envolvimento das forças terrestres.
Estas formações tácticas foram desenvolvidas pelas Forças Armadas da Rodésia, em cooperação entre o Exército e a Força Aérea, no contexto das operações de contra-insurgência, tendo sido inicialmente organizadas em Mount Darwin e Centenary, no nordeste do território, em 1973–1974, com as primeiras operações de combate em Fevereiro de 1974. A sua concepção táctica assentava no emprego de forças de reacção rápida aeromóveis, integrando elementos de infantaria dos "Rhodesian African Rifles" (RAR) e da "Rhodesian Light Infantry" (RLI), com uma formação de helicópteros Alouette III do 7.º Esquadrão da Força Aérea da Rodésia, em que cada um dos três "G-Cars" transportava quatro militares de infantaria (um "stick"), num total de doze.
O desenvolvimento desta concepção táctica foi influenciado pela experiência das Forças Armadas Portuguesas nas operações helitransportadas nas províncias ultramarinas de Angola, Guiné e Moçambique. Portugal, apontado como o primeiro país a utilizar o Alouette III em combate, em 1963, introduziu, através da sua Força Aérea, a partir de 1965, versões armadas com canhões Matra MG 151/20 de 20 mm, conhecidas como "helicanhões" alcunhados de "Lobo Mau". As operações portuguesas já contemplavam o transporte de grupos de quatro militares por helicóptero, com apoio de fogo de um helicanhão, numa configuração que antecedeu em cerca de uma década e influenciou a organização dos "sticks" e dos "K-Car" rodesianos, desenvolvidos em 1974. Segundo referenciado por J. R. T. Wood no seu artigo de 1996, "Fire Force | Helicopter Warfare in Rhodesia: 1962–1980", os primeiros canhões MG 151/20 dos "K-Car" foram obtidos junto de Portugal, assim como, durante bastante tempo, as respectivas munições explosivas-incendiárias (HEI).
A Rodésia, anteriormente designada Rodésia do Sul ("Southern Rhodesia"), dispunha desde 1923 do estatuto de colónia britânica com governo autónomo ("self-governing colony"), tendo declarado unilateralmente a independência do Reino Unido a 11 de Novembro de 1965, sob a liderança do Primeiro-Ministro Ian Smith (1919–2007), natural da própria Rodésia e ex-piloto de combate da "Royal Air Force" durante a Segunda Guerra Mundial. A declaração não seria reconhecida pelo Reino Unido nem pela comunidade internacional, permanecendo o território, do ponto de vista jurídico, sob soberania britânica.
A "Bush War" ("Guerra do Mato") corresponde à guerra civil que teve lugar de Julho de 1964 a Dezembro de 1979 opondo as forças da Rodésia aos movimentos insurgentes e independentistas "Zimbabwe African National Union" (ZANU), liderado por Robert Mugabe, e "Zimbabwe African People's Union" (ZAPU), liderado por Joshua Nkomo. Em oposição ao governo liderado pelo Primeiro-Ministro Ian Smith, estes dois movimentos viriam a constituir, em Outubro de 1976, a "Patriotic Front" (PF), com estruturas políticas e de comando conjuntas, mantendo os respectivos braços armados, i.e., o "Zimbabwe African National Liberation Army" (ZANLA), da ZANU; e o "Zimbabwe People's Revolutionary Army" (ZIPRA), da ZAPU.
O conflito terminaria com os Acordos de Lancaster House, assinados em Londres a 21 de Dezembro de 1979, que estabeleceram as condições para o cessar-fogo e a transição para a independência. Nas eleições de Fevereiro de 1980, a ZANU, liderada por Robert Mugabe, alcançaria a maioria parlamentar, assumindo este o cargo de Primeiro-Ministro com a independência do Zimbabwe, proclamada a 18 de Abril de 1980. Ian Smith, que havia deixado a chefia do Governo em Junho de 1979, permaneceria na vida política como deputado da oposição até 1987.


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