Mi-26 em acção de fixação de poeiras radioactivas dez dias após explosão do reactor nuclear da Central de Chernobyl
Pripyat, Ucrânia, URSS 6 de Maio de 1986
Helicóptero pesado Mil Mi-26S (Ми-26С, designação NATO "Halo") da 4.ª Esquadra do 276.º Regimento Independente de Helicópteros (276 OVP, 13996) do Exército Soviético, em acção de pulverização com o composto "barda" ("барда"), junto à Central Nuclear de Chernobyl, Pripyat, República Socialista Soviética da Ucrânia, URSS, a 6 de Maio de 1986, dez dias após a explosão do reactor número 4, a 26 de Abril de 1986.
Um subproduto líquido obtido a partir de lixívias sulfíticas da indústria da celulose, a "barda" ("барда") - forma abreviada de referência a "sulfitno-spirtovaya barda" (SBD), em cirílico russo "сульфитно-спиртовая барда" (СДБ), lit. "resíduo sulfito-alcoólico" - era aqui usada como elemento para supressão de poeiras, por pulverização sobre o terreno, para fixar partículas contaminadas e reduzir a ressuspensão de poeiras radioactivas. É referenciado como SBD-501 ("СДБ-501").
A versão "S" do Mi-26 corresponde a uma variante de emergência do Mi-26 adaptada para operações de descontaminação e fixação de poeiras radioactivas no contexto de Chernobyl, equipada com reservatório para líquido, sistema de pulverização sob a fuselagem, filtragem de ar e protecção suplementar para a tripulação.
O Mi-26, ao serviço das forças soviéticas desde 1983, com um comprimento de 40 metros, sustenta um peso máximo à descolagem de até 56 toneladas (com um "payload" de até 20 toneladas), propulsionado por 2 motores ZMKB Progress D-136, de 11 400 hp cada, com uma velocidade máxima de 295 km/h (em cruzeiro de 255 km/h), com um alcance de 500 km (com 7,7 toneladas de carga). Com uma tripulação de 5 elementos (2 pilotos, 1 navegador, 1 engenheiro de voo e 1 técnico de voo), pode transportar 82 passageiros.
Na história da energia nuclear civil, Chernobyl integra o grupo dos acidentes graves em reactores de potência com libertação ambiental de material radioactivo. O caso de 1986 distinguiu-se por explosão e incêndio prolongado do reactor, com evacuação de mais de 100 000 pessoas; Fukushima Daiichi, em 2011, no Japão, foi também classificado no nível máximo da escala internacional de gravidade de eventos nucleares e radiológicos, embora por mecanismo distinto (ambos no nível 7 na escala INES, "International Nuclear and Radiological Event Scale"); Three Mile Island, em 1979, nos EUA, foi igualmente um acidente grave de reactor, mas com libertações externas pequenas e sem efeitos sanitários detectáveis segundo a entidade reguladora nuclear dos Estados Unidos (retrospectivamente, nível 5 da escala INES). Em termos de impacto radiológico, contaminação terrestre, consequências sanitárias e escala operacional da resposta, Chernobyl é geralmente tratado como o acidente nuclear civil mais grave da história.
Foto por Igor Fedorovich Kostin | RIA Novosti ("РИА Новости")

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