Força Aérea Portuguesa contrata drones Tekever AR5


Portugal 
Agosto de 2026

A Força Aérea Portuguesa (FAP) assinou com a Tekever um contrato, anunciado a 11 de Agosto de 2026, para o fornecimento de drones AR5 com capacidade de operação remota e autónoma, vocacionados para a patrulha, vigilância e reconhecimento, de longo alcance, para emprego em contextos alargados de segurança e defesa. O contrato contempla duas unidades, com entregas previstas para Setembro de 2026, e compreende, além da formação e capacitação autónoma dos operadores da FAP, o fornecimento e integração de uma Estação de Controlo Terrestre ("Ground Control Station") e do sistema de gestão e controlo de missões ATLAS.
Este contrato emana do Despacho n.º 13722/2025, assinado a 12 de Novembro de 2025 pelo Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e publicado a 19 de Novembro de 2025, delegando no Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General João Guilherme Rosado Cartaxo Alves, os poderes para a prática de todos os actos a realizar neste âmbito. O despacho define um investimento de até 7 796 747,97 EUR (sete milhões, setecentos e noventa e seis mil, setecentos e quarenta e sete euros e noventa e sete cêntimos) a financiar através de verbas da Lei de Programação Militar, com inscrição na FAP, na capacidade de "Operações Aéreas de Vigilância, Reconhecimento e Patrulhamento Terrestre e Marítimo".
A aeronave não tripulada AR5 é uma plataforma de média altitude e média "endurance" especialmente vocacionada para os contextos de vigilância e patrulha marítima. Com 4,03 metros de comprimento e 7,29 metros de envergadura de asa, com uma velocidade de cruzeiro de 100 km/h (propulsionada por dois motores a gasolina, de dois tempos, de 170 cc, do fabricante alemão 3W Modellmotoren), tem uma janela de operação de 12 até 20 horas, suportando comando via comunicações por satélite. Com um peso máximo à descolagem de 180 kg, e podendo operar a partir de pistas não preparadas, pode sustentar um "payload" de até 50 kg. Pode ser equipada com diferentes combinações de radar e sensores electro-ópticos.
São referências de emprego continuado desta plataforma o "Home Office" do Reino Unido e a Agência Europeia da Segurança Marítima (EMSA), bem como, a par do sistema AR3, e em Teatro de Operações de Combate desde a Primavera de 2022, as Forças Armadas Ucranianas.
Em Setembro de 2024, no decurso da 14.ª edição do Exercício REPMUS ("Robotic Experimentation and Prototyping Augmented by Maritime Unmanned Systems", lit. "Experimentação e Prototipagem Robótica Ampliada por Sistemas Marítimos Não Tripulados", promovido pela Marinha Portuguesa), uma unidade Tekever AR5, em operação a partir do Ponto de Apoio Naval (PAN) de Tróia, procedeu ao lançamento de sonoboias SSQ-906G(U), dispositivos passivos de detecção acústica submarina, de tipologia "Low Frequency Analysis and Recording" (LOFAR), podendo ser usadas em contexto costeiro, em águas menos profundas, ou em oceano, com águas profundas.
O Coordenador Operacional do Grupo de Trabalho AR5 da FAP, e ex-Comandante da Esquadra 991 – "Harpias" (criada em 2021 e a primeira unidade aérea do dispositivo da FAP a ser edificada para a operação de Sistemas Aéreos Não Tripulados), Tenente-Coronel Luís Henriques, referiu que "esta plataforma responde aos requisitos actuais de vigilância, segurança e defesa, proporcionando maior alcance, persistência e flexibilidade operacional. A sua integração permitirá reforçar a capacidade nacional de monitorização da Zona Económica Exclusiva e de apoio a um vasto conjunto de missões de interesse público". Pedro Petiz, licenciado em Engenharia Aeroespacial pelo Instituto Superior Técnico (IST) e Director de Desenvolvimento Estratégico da Tekever, denotou, por sua vez, a "capacidade autónoma desenvolvida e produzida em Portugal ao serviço da protecção do nosso espaço aéreo e marítimo".
A Tekever é uma empresa privada portuguesa, fundada em 2001, com mais de 1 000 colaboradores, liderada por Ricardo Mendes, co-fundador e CEO, com sede em Lisboa, unidades de produção, desenvolvimento, engenharia e ensaios em Portugal, França e Reino Unido, e presença no Reino Unido, França, EUA e Ucrânia, onde dispõe de um "hub" de Investigação & Desenvolvimento inserido na iniciativa Diia City. Tem como clientes, utilizadores ou entidades contratantes, entre outros, Portugal, Reino Unido, França, União Europeia, Ucrânia, Nigéria e Brasil.
Foto via Tekever, REPMUS 2024

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