Marinha do Canadá incorpora experiência da missão da Marinha Portuguesa sob o gelo da Gronelândia nas alterações nos seus futuros submarinos para operação no Árctico
O Comandante da Marinha Canadiana, Vice-Almirante Angus Topshee, declarou em entrevista a Steven Chase, do jornal canadiano "The Globe and Mail", publicada a 9 de Fevereiro de 2026, que os novos submarinos a adquirir pela Marinha Canadiana irão receber equipamentos adicionais para o contexto árctico, incorporando a experiência da missão do submarino NRP Arpão da Marinha Portuguesa, de 2024, em operação, ao longo de um agregado de quatro dias, sob a placa de gelo do Círculo Polar Árctico na Gronelândia.
Em particular, estas alterações recebidas pelo NRP Arpão compreenderam a instalação, pela Divisão de Submarinos da Direcção de Navios (DN-DS) e pelo Arsenal do Alfeite, S.A., de uma protecção na vela (coloquialmente, torre) para os mastros e, com o apoio do Instituto Hidrográfico (IH), a instalação de um sonar de alta frequência na torre do submarino, destinada a avaliar o gelo à superfície.
A Marinha do Canadá tem em curso um programa de selecção do modelo de submarino para a aquisição de até 12 unidades, nos termos do "Canadian Patrol Submarine Project" (CPSP) iniciado em 2021, estando referenciados na respectiva "short list" dois modelos: (i) o KSS III, Batch II, da sul-coreana Hanwha Ocean; e (ii) o modelo Type 212CD do grupo alemão "ThyssenKrupp Marine Systems" e da sua "joint-venture" com a norueguesa Kongsberg. Projecta-se que a selecção tenha lugar no decurso de 2026 com as primeiras entregues em meados da década de 2030.
O submarino NRP Arpão (S161), da classe "Tridente" da Marinha Portuguesa. operou na zona de gelo marginal do Teatro de Operações da Gronelândia, numa missão que o levou, de 28 de Abril a 3 de Maio de 2024, a um agregado de 4 dias em imersão sob a placa de gelo do Círculo Polar Árctico. Esta missão decorreu no contexto alargado da Operação "Brilliant Shield", da NATO, em patrulha no Atlântico Norte e no Árctico, ao longo de um total de 77 dias, iniciados com a largada da Base Naval de Lisboa a 3 de Abril de 2024 e com duração até 19 de Junho de 2024.
Em articulação com o HDMS "Ejnar Mikkelsen" (P571), um dos 3 navios de patrulha oceânica da classe "Knud Rasmussen" ao serviço da Marinha da Dinamarca, desde 2010, com atribuição específica a este mesmo Teatro de Operações, o NRP "Arpão" largou a 28 de Abril de 2024 do porto de Nuuk, cidade capital da Gronelândia, território autónomo sob soberania do Reino da Dinamarca, rumando a Norte-Noroeste para atravessar, a 29 de Abril de 2024, o paralelo 66°33′49.9″ que define geograficamente o Círculo Polar Árctico, a cerca de 300 km de Nuuk, no Estreito de Davis.
O NRP "Arpão" realizou então uma primeira imersão profunda, ao longo de 39 horas e 30 minutos, emergindo na zona de gelo marginal ("Marginal Ice Zone", MIZ, a zona de transição entre a placa de gelo e gelo flutuante fragmentado à deriva) e prosseguindo para uma segunda imersão de que voltaria à superfície a 3 de Maio de 2024 - iniciando então o regresso ao porto de Nuuk.
Comandado pelo Capitão-de-fragata Filipe Clemente Taveira Pinto, liderando uma guarnição de 3 dezenas de elementos, o NRP Arpão teve a bordo nesta missão, no respectivo "Combat Information Center" (CIC), o Chefe do Estado-Maior da Armada Portuguesa, o Almirante Henrique Gouveia e Melo, submarinista com experiência operacional, de 1985 a 1992, nos submarinos NRP Albacora, NRP Barracuda e NRP Delfim (nestes 2 últimos como Comandante) e, em 2011, também no NRP Tridente.
Foto seleccionada e editada por E&E a partir de vídeo via Marinha Portuguesa. Composição com "clipping" do "The Globe and Mail" por E&E
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