Cargueiro Margarethe operado pela Transinsular transporta betoneiras para a empreitada de construção do novo porto das Lajes das Flores
Lajes das Flores, Ilha das Flores, Região Autónoma dos Açores, Portugal 3 de Junho de 2026
Navio cargueiro Margarethe (IMO 9375886), ao serviço da portuguesa Transinsular, em aproximação às Lajes das Flores, Açores, a 3 de Junho de 2026, transportando quatro betoneiras CIFA sobre chassis Mercedes-Benz Arocs, de 4 eixos, destinadas a operar no contexto da empreitada de construção do novo porto, uma infra-estrutura portuária crítica desta ilha da Região Autónoma dos Açores, situada no extremo ocidental do território nacional.
O Margarethe, um cargueiro multipropósito, com pavilhão de Antigua e Barbuda e registado no porto de St. John's, detido pela alemã Reederei Jens U. Waller GmbH & Co. KG e ao serviço da portuguesa Transinsular Transportes Marítimos Insulares, S.A., construído em 2007 (Slovenské Lodenice, Komárno, Eslováquia), com 3 342 toneladas (DWT), tem 86,53 metros de comprimento e 12.8 metros de boca. Propulsionado por um diesel Caterpillar-MaK 6M25, 6 cilindros, com 2 690 hp, sustenta uma velocidade de até 12,3 nós, operando com 8 tripulantes. Em distintiva cor amarela temos as duas gruas de convés giratórias de 35 toneladas, do fabricante alemão NMF (Neuenfelder Maschinenfabrik GmbH), que equipam este cargueiro e aptas a operar em "tandem".
Em 2026 aparece repetidamente nos itinerários da Transinsular, com código de serviço 9K5, fazendo sobretudo Ponta Delgada–Lajes das Flores–Ponta Delgada. O movimento oficial dos Portos dos Açores regista-o em Ponta Delgada a 4 de Setembro de 2026, vindo de Lajes das Flores e novamente destinado às Flores.
A Transinsular é formada por iniciativa do Governo Português a 18 de Outubro de 1984, pelo Decreto-Lei n.º 336/84, dos Ministérios da Justiça, das Finanças e do Plano, do Trabalho e Segurança Social e do Mar, na sequência do processo de extinção das empresas públicas CTM (Companhia de Transportes Marítimos) e CNN (Companhia Nacional de Navegação), para poder assegurar o tráfego marítimo com as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. A 6 de Julho de 1987 tem lugar a abertura ao capital privado, através da venda, pelos accionistas Estado e IPE – Investimentos e Participações do Estado, de 30% do seu capital social à portuguesa TIGEST, SGPS, conduzindo, a 6 de Agosto de 1990, à sua privatização total, com a alienação da participação ainda detida pelo Estado. Em 1993, e durante um período de seis anos, passa a ser controlada pela belga Compagnie Maritime Belge N.V. (CMB). Em Abril de 1999, a Transinsular é adquirida praticamente na sua totalidade (99,6%) pelo Grupo ETE, de capital integralmente privado e português.
Com Luís Bartolomeu Baptista de Nagy como Presidente do Conselho de Administração, a Transinsular opera actualmente, com frota própria e afretada, sete porta-contentores e um navio-tanque, contando com mais de 200 colaboradores e servindo 21 portos regulares nacionais e internacionais.
A empreitada de Construção do Novo Porto das Lajes das Flores, a cargo do consórcio liderado pela Tecnovia Açores (35,5%) em consórcio com a Etermar (34,5%), Teixeira Duarte (20%) e Marques S.A. (10%), compreende as actividades de dragagem, com 146 000 m³ no intradorso, 27 750 m³ no extradorso e 6 780 m³ de dragagem em rocha, e de imersão de parte do material dragado, num volume máximo de 97 982 m³, visam, a par do demais projecto de construção, repor a plena operacionalidade portuária após danos infraestruturais extensos, provocados cumulativamente pelo Furacão Lorenzo (1 a 2 de Outubro de 2019) e pela Depressão Efrain (9 a 11 de Dezembro de 2022).
O projecto alargado foi desenhado de 2019 a 2024 para ser executado, ao longo de 60 meses, de 2025 a 2030, levando à construção de um novo molhe-cais com 540 m de comprimento (com 8 222 blocos antifer), incluindo 145 m de reforço do muro-cortina existente e um cais a -9,00 m (ZH), com 170 m de frente acostável e plataforma de 40 m de largura; reconstrução da rampa "Ro-Ro" ("Roll-on/Roll-off"); construção do novo edifício para gare de passageiros, apoio ao recreio náutico e serviços administrativos; e a reabilitação das redes técnicas gerais (água, energia eléctrica, iluminação pública, CCTV, combustíveis). Tem uma valorização de 194,8 milhões de EUR tendo a cerimónia de primeira pedra tido lugar a 19 de Maio de 2025.
Foto por João Nicolau

Comentários