O Prelúdio do 11 de Setembro: A Explosão da Carrinha-Bomba na Torre Norte em 1993
New York, EUA
26 de Fevereiro de 1993
A 26 de Fevereiro de 1993, pelas 12:18 locais, detonava uma carrinha-bomba na garagem subterrânea da Torre Norte (WTC1) do World Trade Center em New York, EUA. O ataque visava abalar as fundações desta torre, provocando a sua queda, e por arrasto de impacto embater e demolir a Torre Sul (WTC2). A explosão provocou uma cratera de 30 metros de diâmetro, que atravessou os pisos superiores e inferiores, provocando seis baixas mortais e cerca de um milhar de feridos, mas sem alcançar o objectivo de demolição do edificado.
A carrinha, uma Ford Econoline E-350, de 5,38 m de comprimento e 2,15 metros de altura, com um volume de carga de 7,4 m³ e cerca de de 2 toneladas de carga útil, de cor amarela, alugada à Ryder Truck Rental em Jersey City, continha um engenho de 680 kg (1 500 libras) de carga explosiva, constituída principalmente por nitrato de ureia (um explosivo improvisado produzido a partir de ureia, produto de utilização corrente como fertilizante agrícola) e acompanhada, como potenciadores, por cilindros metálicos pressurizados contendo hidrogénio gasoso, foi estacionada no piso B-2, dois níveis abaixo do piso térreo (cerca de 8 metros abaixo do nível da West Street), das garagens da Torre Norte.
A detonação, efectuada através de um sistema temporizado, regulado para um atraso de cerca de 10 minutos, provocou destruição estrutural extensa no piso B-2, originando uma cratera irregular em «L» que atingia cerca de 40 × 46 m nos seus eixos máximos, com colapso de lajes de betão armado e propagação vertical dos danos entre vários níveis subterrâneos. Pelo menos nove pilares metálicos no B-2 e sete no B-1 ficaram severamente danificados e privados de contraventamento lateral, embora a estrutura principal não tenha entrado em colapso. A onda de pressão e os destroços danificaram poços de elevadores, paredes, tectos, redes eléctricas, sprinklers, condutas de água e sistemas de comunicações; cerca de 200 viaturas foram total ou parcialmente destruídas. Os destroços atingiram ainda os níveis B-3 a B-5, provocando, neste último, o colapso parcial do tecto da estação ferroviária PATH ("Port Authority Trans-Hudson") do World Trade Center.
O ataque foi planeado, desenvolvido e conduzido por uma célula de 7 elementos, liderados por Ramzi Yousef. O tio deste, Khalid Sheikh Mohammed, com conhecimento prévio do ataque de 1993, faria parte da liderança do grupo que levaria a efeito, oito anos mais tarde, e como seu principal arquitecto, o ataque de 11 de Setembro de 2001 sobre estas mesmas torres, que levaria ao colapso das mesmas, provocando 2 996 baixas mortais e milhares de feridos.
A célula responsável pelo atentado de 1993 contava com Ramzi Yousef, paquistanês, líder e principal arquitecto do atentado, responsável pela concepção e construção do engenho; Mohammed Salameh, jordano de origem palestiniana, apoio logístico, aluguer da carrinha e instalações; Nidal Ayyad, norte-americano naturalizado, de origem palestiniana, aquisição de produtos químicos e cilindros de hidrogénio; Mahmud Abouhalima, egípcio, preparação dos materiais e mistura dos componentes explosivos; Ahmad Ajaj, palestiniano, apoio técnico e fornecimento de manuais de fabrico de explosivos; Eyad Ismoil, jordano, participação na condução e colocação da carrinha-bomba no WTC; Abdul Rahman Yasin, norte-americano de origem iraquiana, preparação e mistura dos componentes do engenho.
Ramzi Yousef foi capturado no Paquistão em 1995, extraditado para os Estados Unidos e condenado a 240 anos de prisão pelo atentado, além de pena de prisão perpétua por outros planos terroristas. Mohammed Salameh, Nidal Ayyad, Mahmud Abouhalima e Ahmad Ajaj foram igualmente condenados a penas muito longas de prisão, superiores a um século em vários casos. Eyad Ismoil foi capturado na Jordânia em 1995, extraditado para os Estados Unidos e condenado a 240 anos de prisão. Abdul Rahman Yasin conseguiu fugir para o Iraque e permanece procurado pelo FBI, com paradeiro desconhecido.
Dois anos depois do ataque sobre a garagem da Torre Norte, e com contexto ideológico diverso, teria lugar, a 19 de Abril de 1995, em frente ao Edifício Federal Alfred P. Murrah, em Oklahoma City, EUA, a detonação de uma carga com o equivalente explosivo de 2 300 kg de TNT, no interior de uma viatura pesada de transporte de carga Ford F-700, alugada à empresa Ryder, pelas 09:02 locais de 19 de Abril de 1995, que provocaria 168 mortes e 684 feridos e que corresponderia, até ao 11 de Setembro de 2001, ao maior atentado terrorista ocorrido nos EUA e, actualmente, ainda o maior acto cometido de terrorismo doméstico. A intensidade da explosão seria registada pelos sismógrafos locais com 3,0 a 3,2 na escala de Richter .
A carga usada, com um massa de cerca de 3 200 kg, foi distribuída por 13 bidões de 208 litros (55 galões), compreendendo um agregado de 2 268 kg de nitrato de amónia (adquiridos sob a forma de fertilizante agrícola) misturados com 544 kg de nitrometano (adquirido como combustível usado em competição automóvel) e entre 57 a 76 litros de gasóleo. Como componente aceleradora foram usados cerca de 160 kg de explosivo comercial Tovex, um sucedâneo moderno da dinamite, em tubos de gel flexível de 45 cm (furtados de uma pedreira com os respectivos detonadores).
Esta acção foi desenvolvida por Timothy McVeigh, como líder e executante, então com 26 anos, nascido em Lockport, New York, em 1968; e por Terry Nichols, cumplice na obtenção, armazenamento e preparação dos materiais (mas ausente da acção operacional final), então com 40 anos, nascido em Lapeer, Michigan em 1955. Timothy McVeigh foi condenado à morte e executado por injecção letal a 11 de Junho de 2001. Terry Nichols foi condenado a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional e permanece encarcerado.
Diagrama por Rita F. Fahy e Guylène Proulx, in Mar/Abr 1995, NFPA ("National Fire Protection Association") Journal, p. 60, ref. NIST-GCR-95-684. Foto interior com equipas e escada via FBI. Foto interior com agentes NYPD via Richard Drew | AP. Foto interior com pilares expostos via Alan Reiss.




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