Houthis atacam com missil três viaturas blindadas de forças leais ao governo do Iémen
Iémen
Setembro de 2026
"Movimento Houthi" iemenita, apoiado por drone de observação, ataca, com míssil de fabrico local, um objectivo com três viaturas blindadas, no contexto de uma reunião de comandantes de forças leais ao Governo iemenita e apoiadas pela Arábia Saudita, na primeira semana de Setembro de 2026. Está referenciada uma acção alargada, de reforços de efectivo e contra-ofensiva conjunta, neste mesmo período, por parte das forças leais ao Governo, das "Southern Giants Brigades" e "Nation's Shield Forces", nas províncias de Taiz e Hodeida na Costa Ocidental do Iémen.
Esta acção do "Movimento Houthi" é aqui suportada por um drone de observação que permite a persistência do contexto de Informações, Vigilância e Reconhecimento ("Intelligence, Surveillance and Reconnaissance", ISR) mantendo o acompanhamento do objectivo ao longo de toda a cadeia de ataque ("kill chain"), desde a sua detecção até ao emprego do míssil, culminando num impacto de precisão e com o seguimento pós-impacto a permitir efectuar a correspondente Avaliação dos Danos de Combate ("Battle Damage Assessment", BDA).
No plano mais acima do vídeo temos duas viaturas tácticas ligeiras blindadas 4x4 Cougar, assentes em "chassis" Toyota da série 79, produzidas pelo STREIT Group (Emirados Árabes Unidos), com uma capacidade para 2+6 elementos e torre na secção mais recuada do tejadilho. Tem 5,3 metros de comprimento, 2 metros de largura e 2,1 metros de altura, uma massa de 4,5 toneladas, sustenta até 105 km/m em estrada e com um alcance até 900 km.
No plano mais abaixo temos uma viatura blindada MRAP ("Mine-Resistant Ambush Protected") 4x4 Masmak-2, produzida em "joint-venture" pelo STREIT Group (Emirados Árabes Unidos) e Saudi Groups (Arábia Saudita), apresentado pela primeira vez em 2023, no certame IDEX em Abu Dhabi. Tem 6,4 metros de comprimento, 2,54 metros de largura, 2,85 metros de altura, uma capacidade para 2+8 elementos, com um motor turbo-diesel, de 6 cilindros e 450 hp, capaz de uma velocidade de até 150 km/h (em estrada), com uma autonomia de 1 200 km (a 80 km/h), dotada de protecção balística STANAG 4569 Nível 3, ampliável a Nível 4 e de protecção anti-minas/explosivos STANAG 4569 Nível 4A/B. Conta com torre na secção dianteira do tejadilho, alinhada com a segunda porta lateral.
O míssil aqui empregue corresponderá a um Badr-1P, de alto-explosivo de fragmentação, versão guiada do foguete de artilharia Badr-1, de combustível sólido, com cerca de seis metros de comprimento e 300 mm de diâmetro, com um alcance na ordem dos 150 km e uma precisão de três metros. Foi anunciado e apresentado pelo "Movimento Houthi", a 28 de Outubro de 2018, a par de imagens do seu emprego, no dia anterior, contra um campo de treino de forças leais ao Governo, apoiadas por militares sudaneses e com suporte saudita, a cerca de 14 km a Sul do Porto de Hodeida.
Badr ("بدر") significa literalmente "Lua Cheia" em árabe, sendo aqui uma referência à Batalha de Badr, em 624, travada na região ocidental da actual Arábia Saudita, cerca de 800 km a Norte do actual Iémen, onde o profeta Maomé, à frente de uma força muçulmana de cerca de 300 homens, enfrentou uma força de cerca de 950–1 000 homens enviada por Meca, então ainda fora do domínio muçulmano e sob liderança dos Quraysh, confederação de clãs árabes que dominava política e comercialmente a cidade e se opunha a Maomé e à comunidade muçulmana de Medina. A batalha terminou com uma vitória decisiva muçulmana, com cerca de 70 adversários mortos e outros 70 capturados, face a 14 mortos do lado muçulmano. Meca seria conquistada pelas forças de Maomé, cerca de seis anos depois de Badr, em 630, praticamente sem combate significativo.
As forças iemenitas Ansar Allah ("أَنْصَار ٱللَّٰه", "Apoiantes de Deus"), conhecidas popularmente por "Movimento Houthi", com origens na década de 1990, levaram a efeito uma grande ofensiva militar em 2014, tomando a capital Sanaa em Setembro desse ano. Em Janeiro de 2015, tomaram o palácio presidencial e precipitaram a queda do Governo central do Iémen, liderado por Abdrabbuh Mansur Hadi ("عبدربه منصور هادي"). Tem lugar, em Março de 2015, uma contra-intervenção militar de uma coligação liderada pela Arábia Saudita, visando a reposição do Governo e a contenção do "Movimento Houthi". Esta intervenção não alcançou os seus objectivos, mantendo-se o conflito por resolver e o controlo da capital e de grande parte do Ocidente do Iémen por parte do "Movimento Houthi".
As "Southern Giants Brigades" (ألوية العمالقة الجنوبية, "Alwiyat al-Amaliqa al-Janubiyya", "Brigadas dos Gigantes do Sul") foram constituídas a partir de 2016, com apoio dos Emirados Árabes Unidos, a partir de elementos da resistência do Sul do Iémen, encontrando-se actualmente sob o comando de Abd al-Rahman al-Muharrami, membro do "Presidential Leadership Council" (PLC), órgão que encabeça o Governo iemenita internacionalmente reconhecido. Por sua vez, as "Nation's Shield Forces" (قوات درع الوطن, "Quwwat Dir' al-Watan", "Forças do Escudo da Nação") foram formalmente constituídas em Janeiro de 2023, com apoio da Arábia Saudita, como força de reserva colocada sob autoridade directa do presidente do PLC e Supremo Comandante das Forças Armadas, Rashad al-Alimi.
Os Houthis retomaram, durante Julho e Agosto de 2026, ataques de especial relevo no seu território e transfronteiriços, em território saudita, pela primeira vez desde o período de desescalada iniciado com a trégua mediada pela ONU em Abril de 2022. Entre outros, foram atacados o aeroporto internacional de Abha ("أَبْهَا") e instalações petrolíferas da Aramco em Jizan ("جيزان").







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