Mergulhadores sapadores da Marinha Portuguesa especialistas em guerra de minas destacados em força naval NATO operam drone português de subsuperfície LAUV


Atlântico Norte Agosto-Setembro de 2026
Especialistas do Destacamento de Mergulhadores Sapadores N.º 3 da Marinha Portuguesa, a bordo do navio Jotvingis (N42) da Marinha Lituana, líder da força naval "Standing NATO Mine Countermeasures Group One" (SNMCMG1), no decurso do exercício Northern Viking 26, de finais de Agosto a inícios de Setembro de 2026. O Jotvingis (N42) é o actual navio almirante da SNMCMG1, sendo esta força NATO de guerra de minas liderada, desde 30 de Junho de 2026, pelo Comandante Donatas Gečas da Marinha Lituana.
No detalhe das fotos podemos observar os mergulhadores portugueses, especialistas em guerra de minas e mergulho em profundidade, a operar um veículo não tripulado e autónomo de subsuperfície LAUV ("Light Autonomous Underwater Vehicle"), desenvolvido pela empresa portuguesa OceanScan, aqui empregue em acções de detecção de contactos de interesse, reconhecimento e análise subaquática, e de identificação de objectos no fundo marinho.
O LAUV é um veículo subaquático ligeiro, de funcionamento autónomo, projectado para missões oceanográficas, hidrográficas, de segurança e vigilância. Com um comprimento entre os 1,15 e 2,30 metros e uma massa entre os 15 e os 35 quilogramas (conforme módulos equipados), com um diâmetro de 15 centímetros, e capaz de operar até uma profundidade de até 100 metros, com uma velocidade de até 5 nós, numa janela de operação que pode ir das 8 até às 48 horas.
De arquitectura modular, o LAUV pode ser equipado, além de sensores do contexto científico, com sensores de perfil para operações militares, nomeadamente sonar de varrimento lateral (para detecção e classificação de minas), sensores magnéticos e acústicos (para localização de ameaças submarinas), bem como sistemas de navegação GPS, INS (“Inertial Navigation System”), DVL (“Doppler Velocity Log”) e USBL (“Ultra-Short Baseline”). Dispõe ainda de módulos de comunicação acústica, Wi-Fi, GSM/HSDPA (“High-Speed Downlink Packet Access”, 3G), satélite (Iridium), e de camaras digitais de alta-resolução com iluminação. Na componente de “software”, e além da aplicação de controlo remoto, a plataforma LAUV conta com o sistema NEPTUS de comando e controlo distribuído que permite planear, simular e executar missões envolvendo vários veículos em simultâneo. Esta plataforma equipa o DMS3 com o primeiro curso de operador terminado em 26 de Abril de 2025.
A OceanScan Marine Systems & Technology (MST) Lda., criada em Fevereiro de 2008, resultado de um "spin-off" do Laboratório de Sistemas e Tecnologia Subaquática (LSTS) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), é uma empresa privada portuguesa com o objectivo de desenhar, desenvolver, produzir e comercializar equipamentos orientados ao contexto subaquático e às missões de pesquisa, monitorização e inspecção sobre o mesmo. Fundada e dirigida por Alexandre Jorge Arada de Sousa tem a sua sede no Pólo Mar do UPTec (Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto) em Leça da Palmeira, Matosinhos.
Focado no dito "GIUK Gap" (acrónimo resultante de "Greenland-Iceland-UnitedKingdom", GIUK, correspondente ao espaço ("gap") de navegação entre a Gronelândia, a Islândia e o Reino Unido, o exercício "Northern Viking" tem lugar nas águas em redor da Islândia, no Atlântico Norte, iniciado a 22 de Agosto de 2026 e decorrendo até 3 de Setembro de 2026.
O Jotvingis (N42) é um navio de comando e apoio logístico, e a única unidade da classe Vidar da Marinha Lituana, construído em 1977 no estaleiro Mjellem & Karlsen, em Bergen, Noruega, para a Marinha Norueguesa, originalmente destinado a missões de minagem. Modernizado em 2000 e adaptado às funções de comando e apoio, foi adquirido pela Lituânia em Março de 2006 e entrou ao serviço da Marinha Lituana a 27 de Junho desse ano, integrando a Divisão de Navios de Contramedidas de Minas da Flotilha de Navios de Guerra. Com 64,8 metros de comprimento, 12 metros de boca, 4,9 metros de calado e 1 750 toneladas de deslocamento, atinge uma velocidade máxima de 15 nós. É propulsionado por dois motores diesel Wichmann de 2 100 hp cada e está armado com duas peças Bofors de 40 mm (uma a vante outra à ré), metralhadoras pesadas Browning M2 de 12,7×99 mm NATO e metralhadoras MG3 de 7,62×51 mm NATO. A guarnição pode atingir 48 militares, dispondo ainda de capacidade para embarcar mais 20 elementos.
Constituída como Força Nacional Destacada (FND), constituída por seis militares mergulhadores sapadores, estes militares da Marinha Portuguesa estão destacados junto do navio Jotvingis (N42) da Marinha Lituana desde 29 de Julho de 2026, participando, no contexto SNMCMG1, conforme comunicado pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) de Portugal, "em exercícios e operações de contramedidas de minas, desempenhando tarefas especializadas de detecção, identificação e neutralização de engenhos explosivos, contribuindo para a manutenção da liberdade de navegação e para a segurança no espaço marítimo".
A Marinha Portuguesa conta com três Destacamentos de Mergulhadores Sapadores (DMS): o DMS1 especializado em acções especiais (reconhecimento, sabotagem, demolições) e de inactivação de engenhos explosivos (EOD, "Explosive Ordnance Disposal"); o DMS2 especializado em acções de busca e salvamento; e o DMS3 especializado em acções de contramedidas de minas e guerra de minas (MW, "Mine Warfare").







Fotos via EMGFA de Portugal


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