Mi-171 paquistanês em operações após ataque armado na República Centro-Africana junto à fronteira com o Sudão
Am-Dafock, Vakaga, República Centro-Africana
11 de Julho de 2026
Operação de helicóptero Mi-171Sh, destacado pelas Forças Armadas do Paquistão ao serviço da MINUSCA, na base de Am-Dafock, em Vakaga no Nordeste da República Centro-Africana, a 11 de Julho de 2026. Está equipado com um distintivo sistema adicional de separação de partículas, Pall PUREair QB0440, nas entradas de ar dos motores, que, através de separadores ciclónicos, utiliza força centrífuga para afastar as partículas do fluxo de ar antes da entrada nos motores. As partículas são depois expulsas por um sistema de extracção assistido por ventilador.
A 30 de Junho de 2026, a localidade de Am-Dafock (10.465408, 23.294552), na prefeitura de Vakaga, no Nordeste da República Centro-Africana, alcançada pela estrada RN8 e situada junto à fronteira com o Sudão, a Leste, foi alvo de um ataque, envolvendo o emprego de metralhadoras e lança-granadas foguete, conduzido por elementos armados associados à Frente Popular para o Renascimento da República Centro-Africana ("Front populaire pour la renaissance de la Centrafrique", FPRC) e ao Movimento Democrático para o Reagrupamento do Povo Centro-Africano ("Mouvement démocratique pour le rassemblement du peuple centrafricain", MDRPC), acompanhados por outros grupos armados não identificados. O ataque atingiu as forças de segurança centro-africanas, a população civil e militares da MINUSCA, incluindo a sua Base Operacional Temporária, estabelecida em Janeiro de 2024 e guarnecida por militares do contingente da Zâmbia.
Segundo um balanço das Nações Unidas, os confrontos provocaram 29 mortos, incluindo sete civis, e 24 feridos, tendo ainda seis militares da MINUSCA ficado feridos. No próprio dia 30 de Junho, um helicóptero Mi-17 da Força Aérea do Sri Lanka, destacado em Bria (a cerca de 460 km a Sudoeste), realizou uma operação de evacuação aérea de 14 feridos, incluindo três militares zambianos, quatro civis e elementos das forças de segurança centro-africanas, transportados para Birao (a 60 km a Sudoeste) e Bria. Nos dias seguintes, a MINUSCA reforçou as operações de protecção da população, apoio médico e transporte de ajuda humanitária, tendo 17 585 deslocados procurado refúgio junto à sua base em Am-Dafock, segundo dados de 15 de Julho de 2026. É neste contexto operacional que se insere o helicóptero Mi-171Sh da aviação militar do Paquistão ao serviço da MINUSCA aqui fotografado em Julho de 2026 em Am-Dafock.
Segundo o relatório A/80/623 do Secretário-Geral das Nações Unidas, de 5 de Fevereiro de 2026, a componente aérea da MINUSCA tem prevista, para o período de Julho de 2026 a Junho de 2027, a operação de 20 aeronaves, compreendendo 13 helicópteros e sete aeronaves de asa fixa. A componente militar de asa rotativa integra três helicópteros Mi-171Sh do Paquistão, três Mi-171Sh do Bangladesh, três Mi-17/Mi-171Sh do Sri Lanka e três UH-60 "Black Hawk" da Tunísia. A componente de asa fixa inclui um C-130 "Hercules" da Força Aérea da Tunísia, destinado ao transporte de militares e carga, e aeronaves Dash 8, de operadores comerciais, utilizadas em missões de transporte e projecção de forças.
As Forças Armadas do Paquistão mantêm na MINUSCA uma unidade de aviação militar (PAKAV), operando 3 helicópteros Mi-171Sh, destinados a missões de transporte de carga, reconhecimento, inserção e extracção de forças e evacuação médica. A presença da aviação militar paquistanesa na República Centro-Africana está documentada desde 2018, encontrando-se igualmente registadas operações de manutenção no aeroporto internacional de Bangui-M'Poko, em Abril de 2024. A rotação da unidade de aviação paquistanesa em serviço em 2026 foi destacada em Agosto de 2025. Em Fevereiro de 2026, esta unidade tinha acumulado 684 horas de voo, transportado mais de 1 100 pessoas e 160 toneladas de carga, e realizado sete operações de evacuação médica.
O Mil Mi-171Sh, de concepção e fabrico russo, derivado da família Mi-8 de origem soviética e com as primeiras entregas internacionais em 2002, é um desenvolvimento para exportação da plataforma Mi-8AMTSh (com motores Klimov TV3-117VM e protecção balística da cabine de pilotagem e de componentes vitais), com um comprimento total de 25,45 metros, um peso máximo à descolagem de 13 toneladas (com uma capacidade de transporte de até 4 toneladas de carga ou 24 militares equipados), com uma velocidade de cruzeiro de 240 km/h e um alcance operacional de 600 km. A sua cabine de carga, acessível por rampa à retaguarda, tem um espaço de 5,34 metros de comprimento, por 2,3 metros de largura e 1,8 metros de altura (podendo transportar uma viatura ligeira). Segundo o inventário "World Air Forces 2026", da FlightGlobal/Cirium, o Exército do Paquistão opera 50 helicópteros da família Mi-8/17/171 e a Força Aérea seis Mi-171, num total de 56 aeronaves.
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