Explosão de fábrica de pirotecnia da Ilha de Malta no Mediterrâneo Central
Malta
1 de Junho de 2026
Explosão, primária e secundária, da Fábrica de Pirotecnia Lourdes, geo-referenciação 35.93909, 14.42731, cerca das 06:30 locais (04:30 UTC) de 1 de Junho de 2026, em Triq tal-Qagħdi (Salina-Magħtab), Malta, a cerca de 8 km a Noroeste da capital, La Valletta, e a 12 km do respectivo aeroporto internacional. Este fenómeno de detonações em cadeia é característico do armazenamento de compostos pirotécnicos de elevada sensibilidade ao choque e ao calor, nos quais a propagação da onda de detonação entre lotes contíguos constitui um risco inerente ao processo de fabrico e armazenagem.
Dois homens, com 67 e 47 anos de idade, que se encontravam a trabalhar em campos agrícolas contíguos às instalações, foram transportados ao Hospital Mater Dei com ferimentos ligeiros e sintomatologia de choque, tendo a polícia maltesa confirmado que nenhum dos operadores licenciados da fábrica se encontrava no local no momento do sinistro. Os danos materiais estenderam-se igualmente às explorações agro-pecuárias circundantes, com registo de perdas animais e danos estruturais nas edificações da área.
No fabrico e armazenamento de fogo-de-artifício estão presentes compostos pirotécnicos energéticos: oxidantes como perclorato, clorato e nitrato de potássio, combustíveis como enxofre, carvão vegetal e pós de alumínio ou magnésio, pólvoras negras, composições de estampido, retardos, rastilhos, cargas de abertura e sais metálicos para produção de cor e efeito luminoso. O clorato de potássio é o composto que levanta mais reservas, por ser instável, sensível e progressivamente afastado das formulações modernas, embora ainda presente em stock em muitas instalações antigas.
A estes acrescem materiais estruturais e de embalagem, nomeadamente cartão, tubos, colas, cordões e suportes, que não são explosivos mas sustentam a combustão e facilitam a propagação entre lotes adjacentes. Em ambiente com humidade relativa baixa, condição frequente no Verão maltês e coincidente com o período de maior actividade produtiva, o cartão acumula carga electrostática com facilidade, tornando o controlo higrométrico das zonas de manuseamento um requisito operacional crítico.
O risco dominante é a proximidade física entre oxidantes, combustíveis e composições já preparadas, todas sensíveis a fricção, choque, calor, faísca e descarga electrostática. Se a compartimentação falhar por erro humano, colapso estrutural ou propagação de incêndio secundário, as detonações em cadeia são o cenário provável. A EN 13763 e a regulamentação ATEX estabelecem distâncias mínimas de separação e requisitos construtivos específicos para instalações com estas características, cuja aplicação é verificada no âmbito do licenciamento e da inspecção periódica.
Vídeo via OSINT.




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